domingo, 7 de dezembro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
14º parágrafo
Não me lembrava da última vez que tinha pisado numa igreja e agora estava eu ali com meu amigo dependente químico num terreiro ou sei lá o que de um tal de Pai Cocum. Qualquer um imaginaria um negão exótico mas o que eu vi era um senhor branco de uns 70 anos mais ou menos com cabelo amarelado queimado de sol. Quando o velho me viu, começou a rir como um idiota e as galinhas que até então ciscavam normalmente começaram a voar. Nunca tinha visto um Pai Cocum e nunca tinha visto galinha voando. Tudo estava muito estranho, parece que a quantidade de fumaça do ambiente tinha aumentado. Não via mais nada. Não escutava mais o Lemmy gritando no pescoço do Caio e muito menos via esse bêbado drogado. Na minha cabeça só tinha fumaça e uma risada louca daquele desgraçado Cocum de merda. De repente o velho aparece na minha frente, segura minha cabeça com as 2 mãos e pergunta em tom irônico: "a Úrsula fudeu você não é? "
sábado, 11 de outubro de 2008
13° parágrafo
Caio estava cabreiro. A cada degrau que subíamos o 'Ponto' podia ser ouvido com mais nitidez. Desde que tinha lhe contado Caio insistia em me acompanhar portando uma arma e lôcaço de farinha, se isso fosse uma hq do Neil Gayman ele teria um sobretudo begê brega e um par de asas negras. Mas como isso é a vida real Caio vestia sua fétida camisa do Brujeria e seu podre bermudão camuflado e seu Nike Jordan preto com os dois simbolos da Nike rancados e o 38 do Cilada enfiado no cós. Puxava engolindo o pó da garganta. Ficaria ainda mais doido se eu falasse que aquele porteiro lá debaixo era um dos seguranças da Úrsula Puta, quer dizer da 2° Úrsula Puta... ou melhor, da Úrsula Puta de Verdade,...bem, vocês sabem qual delas! Em cima da porta estava escrito "Pai Cocum Que Tudo Pode". O que teriam nas outras portas daquele prédio para não encanarem com o 'estranho terreiro do 4º andar' do Pai Cocum? Poderia perguntar isso a ele assim que passasse aquela cortina de bambuzinho, mas outras três coisas clamavam por respostas: 1°Onde encontraria aquela puta com minhas coisas? 2° Quantas pessoas morriam e quantas nasciam por minuto na Terra? 3° E onde diabos haviam se metido aqueles caras? Os atabaques tremiam o chão e o cheiro de ervas tomava o ar.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
12º Parágrafo
Virei o resto de cerveja que sobrava no copo, joguei umas moedas na mesa e fui andando, sabia que não ia dar conta de tudo o que estava acontecendo. Mas que grande merda sou eu, pensei. Todo mundo me fodendo e rindo de mim e eu aqui me lamentando e abaixando a cabeça. O sol estava se pondo, sempre gostei de ver o sol se pondo, amarelo, vermelho, azul tudo se mistura, assim como as idéias em minha cabeça. Precisava sair um pouco dessa merda de cidade, procurar um lugar diferente... mas sem dinheiro, sem documento, seria foda. Virei a esquina na rua Valdemar Filizola, que porra de nome de rua, nunca tinha visto antes, e quem foi esse cara? O que ele fez pra ter um nome de rua? Bom tanto faz, ja deve ter morrido mesmo... mas virando a rua encontrei um lugar que não conhecia, Mina Drink´s... todo cor de rosa por fora, quis entrar mas lembrei que tava sem grana, não seria hoje... Escureceu, li em um cartaz colado num poste: Está sem sorte hoje? Pai Cocum devolve coisas roubadas, recupera mulher perdida, cura doença, faz parto, e muito mais, ligue agora. Não sei porque mas tenho uma atração por números de telefone.
sábado, 27 de setembro de 2008
11° Parágrafo
Alguém me chama e como sua voz estava rouca não a reconheci no ato: "Hei doidão sua cara tá péssima, parece até que cheirou o meu saco!" Era o Caio e o Lemmy do Motörhead gritando 'Ace of Spades' no último em seus ouvidos. 'Tua mãe é quem cheira saco! E abaixa isso que você tá gritando porra, e minha cabeça tá explodindo'. Desde que o conheço nunca o vi sem aqueles fones. Ele os tirou e falou mais uma vez que minha cara estava horrível. O convidei pra tomar uma breja. E enquanto tomávamos contei tudo o que tinha me acontecido nas últimas horas. E sua atitude não foi outra:"Precisamos Foder Grandão com essa puta e com esses caras!!" Virou a fita e apertou o play e o Lemmy voltou a berrar.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
10º Parágrafo
Olho para o nada... de repente alguém esbarra em mim violentamente, vou de cara no chão junto com a bituca de cigarro, desgrudo meu rosto do cimento frio e úmido e vejo, lá na frente, o homem que me jogou longe, logo em seguida, dois policias passam quase que por cima de mim, mas espera aí... o cara que passou correndo é o mesmo que levou minha carteira... o brutamontes que estava junto com aquela puta linda. É aí que me lembro: dentro da minha carteira, tinha a única, a única recordação que eu tinha da minha filha. Uma foto tirada quando ela tinha apenas 1 ano, hoje ela deve estar com 6... nunca a conheci pessoalmente, nunca pude segurá-la nos braços... só tenho a foto porque no último encontro que tive com sua mãe, roubei da sua bolsa...
9º Parágrafo
Não lembro direito do meu sonho, mas meu avô estava nele. Eu aflito por causa daquele relógio velho e com vergonha da puta que me roubou. Devo ter dormido umas 12 horas seguidas. Acordei suado, num cheiro detestável e com a frequente dor de cabeça. Ligo o rádio. Nada toca. Troco de camisa, coloco a mais limpa que tenho e vou para a calçada fumar uma bituca que achei no lençol. O céu está claro. Na minha frente um ônibus cheio de crianças pára. Todas elas apontam e olham para mim. A professora ou monitora também me aponta e dá um sorriso irônico. Não endendo nada. Só existe confusão na minha cabeça. Será que ainda durmo?
8º Parágrafo
hã?!? quantas o que??? hei você ta drogado? merda porque sempre tenho que encontrar esses viciados filhos da puta!!! Seguinte, comendo ou não comendo vai te que paga, eu não vim aqui de graça não, to pouco me fodendo se é loco ou drogado... VINTEEEE!!!!!! ela gritou... puta que pariu, vinte? que porra é essa... a porta se abriu, caralho um segurança, enorme, tremi, ja estava tremendo o cara me pegou pelo pescoço e quase me matou sufocado, apontei minha carteira... tinha uma boa grana lá... ele me jogou na cama e antes que eu recuperasse o folego se foram. Merda! levaram minha carteira com tudo e um relógio, daqueles antigos, de corda que herdei do meu avô. Ainda meio tonto sentei na cama e desmaiei.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
7° parágrafo
Ia, claro que eu ia, como eu não iria numa gostosa daquela? Mas cometi um grande erro, um erro fatal, fui educado com puta! 'Qual é o seu nome princesa?' Esperava qualquer coisa, Suellen, Michelle, Andréia, Marcela, Samantha, Bianca,...qualquer coisa mesmo, menos:"Úrsula!". No biquinho do 'Ú' de Úrsula, meu pau já começou a sumir no 'Su' eu já era eunuco, no 'La', que em minha mente soou em câmera lenta, eu já era um Desesperado. Os deuses deviam estar de sacanagem comigo!! Eu não ia enfiar meu pau em nehuma Úrsula, havia prometido e iria cumprir. Maldição!! Bati as mãos nos bolsos procurando o isqueiro e o maço, quando ela perguntou de novo:"Você não vem?" Levantando a blusa com dois mamilos duros me apontando. 'Úrsula não, caralho! Margarethe, Macabéia, Joacira...mas Úrsula Não!! A pica sem sinal, os dedos gelados, porra, ela devia pensar que eu era louco, o no pior Viado! Ainda mais que a única coisa que consegui falar foi: "Úrsula você sabe quantas pessoas nascem e morrem por minuto no mundo?"
6º paragráfo
Passaram-se alguns dias, não sei quantos... quando se tem insônia... perde-se a noção do tempo, tudo parece distante, o som as imagens... você nem está dormindo nem acordado. Resolvi ligar, entediado... resolvi ligar, depois de uns 40 minutos alguém bate à porta... “deve ser a biscate” penso comigo mesmo...
Abro a porta e... “meu deus!”, se acreditasse nele era exatamente isso que diria... porra... era a garota mais linda que já tinha visto, caralho... ela nem esperou eu falar nada e foi entrando, sentou na cama, acendeu um cigarro e disse: “você não vem???”
Abro a porta e... “meu deus!”, se acreditasse nele era exatamente isso que diria... porra... era a garota mais linda que já tinha visto, caralho... ela nem esperou eu falar nada e foi entrando, sentou na cama, acendeu um cigarro e disse: “você não vem???”
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
5º Paragrafo
Sai, atravessei a rua e deixei cair o último prozac que tinha no bolso, merda, como posso passar o dia sem meu prozac? no meio da rua um carro desvia e buzina, FILHO DA PUTA, xinguei, merda era Ursula, a vagabunda quase me mata... não deu tempo de correr, mas era ela tenho certeza, agora com os cabelos ralos, aposto que está doente, transando até com mendigos nas praças, só pode estar doente e chapada. Continuei andando, sem grana, sem receita, vi um outdoor escrito em letras garrafais: Quer transar? ligue gratis, loira fogosa e delirirante, a dois, três ou a quatro. Aceito cartões visa e master internacional. Meu o que era aquilo? que outdoor era aquele? Mas não resisti, como bom filho da puta que sou anotei o telefone.
4º Parágrafo
Eu também não saberia mais o que dizer. Depois de tantos anos já nos conhecíamos numa profundidade que não mais interessava um ver a cara do outro. Estávamos num período abissal do relacionamento. Uma fase que não me faz bem. Deixo Úrsula de lado e atravesso a rua. Entro na primeira lanchonete que vejo. Peço um café e um senhor calvo e com sorriso irônico me pergunta: "posso dizer uma coisa pra você?" E continua: " eu comecei hoje". Riu como um idiota que assiste um filme sessão da tarde. Eu sóbrio não entrei naquela loucura, deixei um real embaixo do pires pro café gelado e olhei para o velho escroto. Ele continuava rindo e com o movimento das sobrancelhas insinuava algo como: sabia, seu imbecil, sabia? Senti ódio daquele desconhecido.
domingo, 21 de setembro de 2008
3° Parágrafo
Ursula. Antes que eu falasse qualquer coisa ou que reconhecesse meu estado ela me veio com algo que era bem seu, Falou: 'Você sabe quantas pessoas morrem e nascem por minutos no mundo?'Nada era mais sua cara do que essas frases, esse conhecimento. Lembro que logo depois da primeira vez que transamos ela me perguntou se sabia quantas calorias se perdia num peido, pela manhã me perguntou ' e dum espirro, mais ou menos do que o peido?' Portanto eu já estava acostumado e respondi:"Sete morrem o cinco nascem!" Ela disse:'Errado! e eu também não sei dos Caaarass!Mas liga nesse número que aquele viado me deu'. Ela devia estar chapada, Ursula era chata mas não era ciníca. Peguei o número e liguei mas ninguém atendeu, ou melhor uma gravação me dizia que o número não mais existia. Não ia falar com ela nem fodendo!
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
2º Parágrafo
Eu encontrei você. Em todo reflexo sujo, em todo riso histérico, em todo gesto desesperado... lá estava você. Cego em minha ilusão, eu segui os restos das migalhas que você deixou pra trás. E sou hospedeiro do meu próprio parasita... eu me sinto muito cansado. Você me deixa doente. Agora todos os dias eu tenho um papai... eu poderia dormir como um bebê se você paresse de dançar na minha cabeça. Acho que sou louco. Sou uma fraude. Você está aí??? Eu sou um feto morto embalado na bílis de jack. Eu não tenho nada... e nada é muito pra se perder.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
1º Parágrafo
Lembrei esses dias de 3 amigos que conheci a muito tempo. Cada um com seu jeito peculiar e indecifrável, mas todos amigos e por incrivel que pareça eu os conhecia, mas eles sequer tiveram algum contato. As vezes lembro de situações que vivemos, loucuras que passamos mas tudo muito vago na minha velha memória. Lembro de histórias que me contavam, e de histórias que eu contava pra eles, nem sei se eram verdades, mas naqueles momentos sim, eram verdades. Saí de casa, desci as escadas e a rua estava vazia, parecia domingo, naun tenho muita certeza que dia é hoje, a bebedeira me fez perder o sentido do tempo (rs), andei por 2 quarteirões entre as paredes velhas das velhas casas da rua e encontrei o que estava procurando.
Assinar:
Comentários (Atom)