quarta-feira, 24 de setembro de 2008

4º Parágrafo

Eu também não saberia mais o que dizer. Depois de tantos anos já nos conhecíamos numa profundidade que não mais interessava um ver a cara do outro. Estávamos num período abissal do relacionamento. Uma fase que não me faz bem. Deixo Úrsula de lado e atravesso a rua. Entro na primeira lanchonete que vejo. Peço um café e um senhor calvo e com sorriso irônico me pergunta: "posso dizer uma coisa pra você?" E continua: " eu comecei hoje". Riu como um idiota que assiste um filme sessão da tarde. Eu sóbrio não entrei naquela loucura, deixei um real embaixo do pires pro café gelado e olhei para o velho escroto. Ele continuava rindo e com o movimento das sobrancelhas insinuava algo como: sabia, seu imbecil, sabia? Senti ódio daquele desconhecido.

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