sábado, 11 de outubro de 2008

13° parágrafo

Caio estava cabreiro. A cada degrau que subíamos o 'Ponto' podia ser ouvido com mais nitidez. Desde que tinha lhe contado Caio insistia em me acompanhar portando uma arma e lôcaço de farinha, se isso fosse uma hq do Neil Gayman ele teria um sobretudo begê brega e um par de asas negras. Mas como isso é a vida real Caio vestia sua fétida camisa do Brujeria e seu podre bermudão camuflado e seu Nike Jordan preto com os dois simbolos da Nike rancados e o 38 do Cilada enfiado no cós. Puxava engolindo o pó da garganta. Ficaria ainda mais doido se eu falasse que aquele porteiro lá debaixo era um dos seguranças da Úrsula Puta, quer dizer da 2° Úrsula Puta... ou melhor, da Úrsula Puta de Verdade,...bem, vocês sabem qual delas! Em cima da porta estava escrito "Pai Cocum Que Tudo Pode". O que teriam nas outras portas daquele prédio para não encanarem com o 'estranho terreiro do 4º andar' do Pai Cocum? Poderia perguntar isso a ele assim que passasse aquela cortina de bambuzinho, mas outras três coisas clamavam por respostas: 1°Onde encontraria aquela puta com minhas coisas? 2° Quantas pessoas morriam e quantas nasciam por minuto na Terra? 3° E onde diabos haviam se metido aqueles caras? Os atabaques tremiam o chão e o cheiro de ervas tomava o ar.

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